Economy

S&P500 ou S&P 7?

Com o S&P atingindo novas máximas históricas, trazemos observações sobre a evolução do índice e sua composição

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29 Aug 2025

Mesmo após eventos marcantes desde 2020 — como a pandemia de COVID-19, o conflito Rússia x Ucrânia, tensões no Oriente Médio, Trump 2.0 — o índice praticamente dobrou de tamanho em termos de capitalização de mercado [1] nos últimos cinco anos. Similarmente, em 2025, mesmo diante das incertezas sobre tarifas comerciais e a trajetória da dívida americana, que colocam em xeque o excepcionalismo americano, o índice composto pelas 500 maiores ações americanas segue em território positivo, fechando o primeiro semestre de 2025 com alta de 6,2%.

Diante desse contexto, a pergunta que surge é: de onde vem a força do S&P?

As Magnificent 7

Se dividirmos o S&P 500 em dois grupos, fica evidente a força motriz por trás de seu desempenho: as Magnificent 7 (ou “Mag7”), grupo composto por Apple, Microsoft, NVIDIA, Amazon, Alphabet (Google), Meta (Facebook), e Tesla. Enquanto o S&P sozinho dobrou de tamanho desde 2020, as Mag7 praticamente quadruplicaram. Isso significa que, se em dezembro de 2019 um investidor tivesse alocado US$ 1.000 somente nessas empresas, em junho de 2025 ele teria acumulado US$ 3.781. Por outro lado, para quem tivesse investido os mesmos mil dólares nas outras 493 empresas, o retorno acumulado teria sido de 76% no período, ou US$ 1.757.

Esse crescimento acelerado das Mag7 é o que está por trás da concentração expressiva do S&P 500. A Nvidia, por exemplo, que representava 0,4% do índice em dezembro de 2019, passou a corresponder por mais de 7% em 2025, impulsionada pelo boom da inteligência artificial. Por outro lado, se todas as 500 empresas do benchmark fossem distribuídas igualmente, o peso de cada uma seria 0,2%.

Outra forma de evidenciar a concentração do S&P 500 é através do retorno. Se analisarmos os retornos do índice desde 2021, as top 10 maiores empresas foram responsáveis por 54% do desempenho total do S&P, enquanto as outras 490 contribuíram com o resto.

Risco de concentração

O crescimento das Magnificent 7 não é sem mérito, uma vez que por meio de suas atividades essas empresas continuam a gerar inovações tecnológicas. Além disso, diferentemente da bolha nos anos 2000, as Mag7 geram lucros e apresentam estruturas de capital mais robustas, com grandes quantias em caixa para fazer frente às suas operações.

Por outro lado, a concentração do S&P em empresas do setor de tecnologia – que já representam cerca de 40% do índice, sendo que só as Mag7 somam 35% – traz riscos importantes para quem busca diversificação, uma vez que o desempenho do S&P passa a refletir majoritariamente o sucesso de um grupo específico de empresas pertencentes a um único setor. Isso pode distorcer a leitura sobre o desempenho do mercado como um todo e, mais importante, comprometer a utilidade do benchmark para decisões de alocação. John Authers, que escreve diariamente na Bloomberg, mencionou esse risco: “That creates a problem for passive investors, as buying the index no longer diversifies risk.”

Além disso, uma das grandes questões que se impõem é: qual será o crescimento de lucro futuro necessário para justificar os múltiplos atuais embutidos no preço desses papéis? A resposta a essa pergunta é fundamental para avaliar a sustentabilidade de seus retornos esperados.

Diversificação como base da alocação

Assumir risco de concentração faz sentido em alguma escala, mas é necessário entender o quanto isso pode impactar um portfólio. Um investidor exposto ao setor de tecnologia precisou atravessar períodos de quedas relevantes para alcançar o retorno atual, enfrentando drawdowns [2] expressivos acima de 15%. Se o investidor não estiver preparado para lidar com esse tipo de queda, pode acabar resgatando em momentos não oportunos, comprometendo o resultado da estratégia.

Separar uma parcela da alocação para as Magnificent 7 se mostrou uma estratégia vencedora nos últimos anos. Ainda assim, é essencial estar atento aos riscos envolvidos. Para a preservação de capital no longo prazo, acreditamos que uma carteira diversificada deve ser a base da alocação, uma vez que ela reduz a exposição a riscos, suaviza os impactos da volatilidade e favorece retornos mais consistentes ao longo do tempo.

[1] Capitalização de mercado (ou “market cap”): É quanto vale uma empresa na bolsa. Calcula-se multiplicando o preço de cada ação pelo número total de ações que existem. Ex.: se uma empresa tem 1 bilhão de ações a $50 cada, vale $50 bilhões.

[2] Drawdown: É a maior queda que um investimento sofre a partir do seu valor mais alto até o ponto mais baixo antes de voltar a subir. Em outras palavras, mostra quanto você teria perdido se comprasse no topo e vendesse na queda.

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