Macro Report July 2025

Internacional
As bolsas globais tiveram bom desempenho em junho, impulsionadas por revisões positivas de lucros nos setores de tecnologia e consumo. O petróleo chegou a subir com a escalada geopolítica envolvendo Irã, Israel e EUA, mas cedeu com a posterior acomodação.
Os ativos de risco seguiram resilientes, enquanto o Federal Reserve sinalizou dois cortes de juros até o fim do ano. A taxa básica foi mantida entre 4,25% e 4,50%, com ajuste no comunicado indicando menor incerteza. As projeções, contudo, mostraram piora nos dados de inflação, atividade e emprego. O dot plot apontou taxas mais altas à frente, refletindo a resiliência da inflação e a moderação do mercado de trabalho.
No campo fiscal, as tarifas voltaram ao debate como instrumento de arrecadação. Segundo estudo da Yale, uma alíquota efetiva de 15,8% geraria US$ 2,3 trilhões até 2035, abaixo dos US$ 3,5 trilhões em déficits estimados pelo CBO com a “One Big Beautiful Bill”, recém-aprovada pelo Congresso. Essa discrepância evidencia a insuficiência das medidas atuais para equilibrar as contas públicas e reforça a deterioração do pilar fiscal dos EUA.
Na Europa, a mudança no regime fiscal liderada pela Alemanha, com aumento dos gastos em defesa e infraestrutura, vem impulsionando a atividade. Investimentos militares devem atingir 3,5% do PIB até 2029, com a meta da OTAN em 5% até 2035. O euro segue valorizado com a rotação de alocação global, favorecido por maior estabilidade institucional frente aos EUA, apesar do carry negativo.
O Reino Unido mostrou crescimento no 1º tri, mas queda em abril. O BoE manteve os juros em 4,25% e sinalizou cortes graduais. A confiança segue abalada por incertezas fiscais e políticas, com reversão de cortes em programas sociais, alta de custos e desvalorização da libra.
Na China, os PMIs industriais superaram expectativas em junho, com o Caixin subindo de 48,3 para 50,4. Exportações cresceram 4,8% a/a em maio, com destaque para Europa e Ásia. As vendas aos EUA, por outro lado, recuaram 34,5%. No campo político, o governo anunciou subsídio nacional à natalidade e sinalizou prioridade a reformas estruturais com foco em reduzir o protecionismo e combater a capacidade ociosa, num contexto ainda marcado por pressões deflacionárias.
Brasil
A política fiscal continuou no centro do debate. Apesar da suspensão do decreto do IOF pelo STF e da derrubada na Câmara, o governo ainda pode atingir a meta de 2025, contando com corte de gastos tributários, dividendos de estatais, congelamento de despesas e receitas do pré-sal. Já para 2026, a meta sobe para 0,25%, aumentando os riscos fiscais. O STF retoma a análise em agosto.
No front monetário, a Selic foi elevada para 15% em junho, com o BC indicando manutenção da política contracionista por período prolongado. A decisão ocorre em meio a leve recuo na atividade e melhora no mercado de trabalho: desemprego caiu a 6,1% e houve aumento da formalidade. A valorização do real também favoreceu o IPCA, que segue em queda. Ainda assim, as expectativas de inflação de longo prazo permanecem no teto da meta, o que justifica a cautela do Banco Central. A sinalização é de que cortes podem ocorrer apenas em 2026, mesmo sem plena ancoragem das expectativas.

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