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Relatório Macro

Relatório Macro Junho 2021

Referente ao mês de
05
de
2021

Internacional

O mês de maio, embora positivo para os preços dos ativos em geral, foi marcado por oscilações reforçadas pelas preocupações com pressões inflacionárias nos EUA após a divulgação de dados mais fortes dos indicadores de preços no país. Após o rally dos últimos meses, a Nasdaq sofreu nova correção e reportou queda de 1,53% no mês, enquanto o Dow Jones subiu 1,93%. As criptomoedas também sofreram forte volatilidade: o bitcoin caiu mais de 35% no mês com anúncios de medidas restritivas às transações com moedas digitais pela China e de suspensão, pela Tesla, de seu uso para compra de veículos.

De forma heterogênea entre os países, a economia global começa a se recuperar, com reflexos no aumento do comércio mundial: além do aumento dos preços das commodities, há uma forte elevação do volume das exportações totais. Contudo, a escassez resultante das dificuldades da oferta em acompanhar a demanda continuou a exercer pressão de alta sobre os preços.

Nos EUA, a inflação medida pelo CPI e pelo PCE surpreendeu o mercado, com altas de 4,2% e 3,6%, respectivamente, nos 12 meses encerrados em abril, números mais altos de ambos os índices em mais de uma década. O movimento, em grande parte derivado de um salto nos preços dos veículos usados explicado, principalmente, pelo fato da oferta não responder à demanda por um bloqueio na produção vindo do rompimento de cadeias de suprimento, foi pontual. Porém, apesar de não haver claros indícios de uma inflação continuada, o comunicado da última reunião do FED sinalizou que a normalização monetária já está - ainda que de forma incipiente - em discussão.

No mercado asiático, o avanço da economia chinesa segue em pauta. De acordo com o FMI, o PIB da China deverá crescer 8,4% em 2021. Porém, após a fase de recuperação cíclica, o Banco Central da China calcula que o seu crescimento potencial retornará a 5,5% em 2022, devendo cair lentamente nos anos seguintes, com o crescimento baseado no consumo interno.

A atividade forte em 2021, atrelada ao aumento do comércio mundial, é uma das razões para o ciclo de aumento dos preços de commodities. Não há, porém, evidências de um novo "super ciclo de commodities" como o ocorrido entre 2002 e 2011, quando a China sustentou taxas de crescimento elevadas por longos períodos e o dólar experimentou enfraquecimento mais expressivo que o atual.

PIB China x Commodities
PIB China x Commodities. Fonte: A. C. Pastore & Associados

Diante da recuperação econômica em curso e do controle da pandemia, o Banco Central da China vem implementando medidas de restrição à expansão do crédito para evitar um superaquecimento da atividade e dos mercados financeiros e imobiliários. O risco de uma desaceleração na demanda no atual contexto não é desprezível, mas, embora mais medidas possam vir, as incertezas políticas têm arrefecido: a desaceleração do crédito, associada à redução do suporte fiscal formal, demonstra menor urgência política em sustentar o crescimento e maior preocupação com a consolidação das finanças públicas.

Brasil

No Brasil, embora a curva de novos casos tenha caído em relação ao pico do início de abril, a situação é crítica e o progresso da vacinação - que deve ganhar tração na segunda metade do ano -, lento.

Os mercados, no entanto, seguem otimistas. O Ibovespa subiu 6,16% em maio, com destaque para os setores de commodities e financeiro e para o forte fluxo de capital estrangeiro no mês (R$ 32 bilhões no ano, sendo R$ 12 bilhões em maio), determinante para a performance do índice no período. Fatores como a aprovação da MP da privatização da Eletrobrás na Câmara, os fortes resultados das empresas e as revisões em série das perspectivas de crescimento em 2021 – com implicações positivas também no endividamento em relação ao PIB – contribuíram para o resultado.

O tom positivo foi reforçado pela divulgação dos dados de atividade. Excedendo estimativas do mercado, o PIB do primeiro trimestre cresceu 1,2% em relação ao quarto trimestre de 2020. Destaque para a forte expansão dos investimentos, a recomposição de estoques na indústria, o aumento expressivo da safra agrícola e a retomada da economia global e das commodities, impulsionando as exportações.

A inflação, por sua vez, segue acelerando: o IPCA-15 de maio subiu 7,27%, com a taxa de 12 meses já ultrapassando o limite superior do intervalo contendo a meta. Os bens tradables, diretamente afetados pelo câmbio, explicam a maior parte das pressões nos preços, enquanto a variação dos non-tradables, que refletem basicamente os salários, segue abaixo da meta em 12 meses.

Variação Bens Tradables x Non-Tradables
Variação Bens Tradables x Non-Tradables. Fonte: A. C. Pastore & Associados.

A eventual estabilização do câmbio e a continuidade da alta da taxa de juros tendem, por outro lado, a reduzir este efeito.

Desde o início da pandemia, o dólar vem flutuando entre R$ 5,20 e R$ 5,60, isto é, com uma depreciação acumulada (em relação a janeiro de 2020) entre 30% e 40%. Embora o câmbio reflita o prêmio de risco vindo do lado fiscal, a percepção do mercado é de que este risco se reduziu, o que trouxe a moeda para os R$ 5,22 no mês.

Quanto aos juros, mesmo após as duas elevações de 0,75%, a taxa Selic ainda está no território negativo em termos reais, e deve continuar se elevando até 5,75% em 2021, em linha com as estimativas da pesquisa Focus do Banco Central. Admitindo que a taxa neutra de juros real seja de 3% ao ano, a Selic ainda terá que chegar a 6,50%, o que deverá ocorrer em 2022. A expectativa de elevação da taxa de juros vem deslocando para cima o ramo curto da curva de juros em uma velocidade maior do que a do ramo longo, reduzindo sua inclinação positiva, acompanhando o comportamento mais recente do real.

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