Relatório Macro Fevereiro 2023
Internacional
Janeiro foi marcado pela volatilidade global mais baixa com um cenário mais positivo diante da sinalização do FED de redução ainda maior do passo de alta dos juros. A confirmação de melhores perspectivas de atividade na Europa e na China também contribuiu para os bons resultados dos ativos de risco, com alta das Bolsas globais, fechamento das taxas de juros nos EUA e desvalorização do dólar.
Nos EUA, a tendência é desaceleração do crescimento. O PIB do quarto trimestre de 2022 mostrou que o consumo das famílias reagiu pouco e o maior ajuste ocorreu na formação bruta de capital fixo, com peso maior no setor imobiliário: as elevadas taxas de juros dos mortgages estão surtindo o efeito desejado para provocar a queda do crescimento e da inflação. A discussão se concentra agora em torno da intensidade dessa desaceleração, que depende da velocidade de queda dos preços. Se por um lado há sinais de que o pico da inflação foi atingido, com maiores reflexos em bens de consumo duráveis e não duráveis, por outro o mercado de trabalho continua aquecido e, ainda que mais lentamente, o FED segue elevando a taxa dos Fed funds.
Na contramão dos EUA, o risco de recessão na Europa declinou fortemente, tendência que já vinha se fortalecendo com indicadores antecedentes da indústria e do setor de serviços voltando para a área de expansão. Isso se deve, em parte, ao bom controle dos estoques de gás combinado com um inverno mais ameno. Apesar da queda dos preços de energia, contudo, a inflação na região persiste elevada, e o BCE segue sinalizando que está disposto a elevar ainda mais a taxa de juros para ancorar a inflação à meta, o que, em todo caso, não altera o quadro de melhor desempenho do PIB da região.
Já a China teve um crescimento fraco em 2022, mas a mudança radical da política de Covid-zero alterou as perspectivas. A abertura da economia, somada aos estímulos creditícios ao setor imobiliário, deve provocar um retorno ao crescimento, que pode chegar a 5% em 2023.
A melhora das perspectivas na Europa e na China, apesar do pior desempenho dos EUA, leva a um quadro de maior crescimento mundial e reflete nas expectativas mais favoráveis para as commodities. As perspectivas de recessão mundial também faziam antever a continuidade da queda do petróleo, mas já é possível se considerar uma sustentação ou aceleração de seus preços.
Brasil
No Brasil, o ano iniciou movimentado: invasão no Congresso, questionamentos sobre a meta da inflação e a independência do Bacen pelo executivo e incertezas fiscais. Porém, os valuations ainda atrativos e, principalmente, as melhores perspectivas externas, contribuíram para valorização da Bolsa e do real.
A inflação segue sendo fortemente influenciada pelos preços administrados, principalmente combustíveis. Uma das facetas do conflito fiscal-monetário, contudo, é que o governo precisa da receita de impostos sobre combustíveis para reduzir o déficit primário, e o retorno à normalidade significaria uma pressão inflacionária adicional. A este dilema, adiciona-se a incerteza sobre a condução da política fiscal do novo governo, com reflexos nas perspectivas de inflação para 2023 e 2024, que persistem em crescimento apesar da política monetária restritiva.

Se de um lado o Banco Central busca contrair a demanda (com efeito, já há sinais de desaquecimento, com índices antecedentes de atividade e de confiança mais fracos), de outro a política fiscal a expande. O governo tampouco explicitou seu novo “arcabouço fiscal”, o que vem se refletindo em pressões na curva de juros, mas não na mesma magnitude no câmbio, sobre o qual atua uma força contrária: o ciclo de enfraquecimento do dólar, que tem provocado a valorização das moedas dos demais emergentes.
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