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Relatório Macro

Relatório Macro Fevereiro 2025

Referente ao mês de
01
de
2025

Internacional

Em janeiro, as bolsas americanas fecharam positivas diante do retorno de Trump à Casa Branca, enquanto a ascensão da empresa chinesa de AI DeepSeek gerou dúvidas sobre a homogeneidade tecnológica das empresas americanas.

As primeiras semanas do novo governo de Trump foram marcadas pelo início das operações de deportação, pelo desmonte de políticas ambientais e por novas barreiras comerciais. Canadá e México foram os primeiros a enfrentar uma taxação de 25%, seguidos pela China, com uma alíquota de 10%, embora a implementação para os dois primeiros países tenha sido adiada até março de 2025. Já em fevereiro, o presidente ampliou as medidas protecionistas, impondo uma taxa de 25% sobre aço e alumínio, o que agora deve afetar as exportações brasileiras.

As medidas protecionistas anunciadas já começaram a desencadear retaliações de parceiros comerciais, e devem prejudicar o comércio internacional. A escalada protecionista americana ameaça cadeias produtivas integradas e pode desacelerar a economia mundial, agravando desafios para países exportadores e intensificando a volatilidade nos mercados.

Paralelamente, o FOMC manteve os juros em 4,25%-4,50% em janeiro, destacando maior preocupação com a desinflação lenta do que com o mercado de trabalho. Jerome Powell, presidente do Fed, afirmou que a autoridade só incorporará os impactos das tarifas e políticas migratórias quando forem aprovadas, mas os anúncios já ampliam a incerteza, pressionando expectativas inflacionárias.

Fed Fund Rate Probability
Fed Fund Rate Probability. Fonte: A.C. Pastore & Associados.

Na Europa, a economia cresceu 0,7% no 4T24. As atividades na Alemanha (-0,2%) e a França (-0,1%) recuaram, no entanto. Os países sofrem com desafios estruturais produtivos e uma crise política e fiscal, quadro que deve ser agravado por possível guerra comercial com os EUA. Alerta a essas questões, o BCE cortou juros para 2,75% em janeiro e deve seguir sem mudar o ritmo de ajustes, já que a inflação de serviços segue elevada. O euro, hoje valorizado, pode perder força com o diferencial de juros com os EUA.

Por fim, na China, o PIB cresceu 5,4% em 2024, superando a meta de 5,0%, impulsionado por estímulos e boom exportador no 2º semestre. Em 2025, a política fiscal será chave para sustentar a demanda doméstica e eventualmente impedir quedas bruscas de exportação diante de um ambiente internacional mais hostil.

Brasil

No Brasil, o real foi favorecido pelo tom inicial mais contido de Trump sobre tarifas. O Ibovespa também reagiu bem ao maior apetite de risco global, subindo 4,9% no mês, enquanto a curva de juros fechou nos vértices mais curtos pós reunião do Copom.

Na primeira reunião sob a presidência de Gabriel Galípolo, o Copom elevou a Selic em 1 p.p., para 13,25%. E apesar do tom mais brando em seu comunicado pós-reunião, na ata do encontro o Comitê reforçou o balanço de riscos mais assimétrico, reconheceu o “esmorecimento no esforço de reformas estruturais e da disciplina fiscal”, e demonstrou preocupação com a desaceleração da atividade em virtude de um ambiente monetário mais restritivo. Diante desse cenário, as expectativas do mercado, refletidas na curva de juros DI, apontam para uma taxa terminal entre 15% e 16% em 2025.

No quadro político, o governo acumula perda de popularidade agravada pela inflação de alimentos e a crise reputacional gerada pela fake news da “taxação do PIX”. Com foco nas eleições de 2026, Lula e Haddad podem tentar evitar uma desaceleração da economia, reforçando a trajetória de baixo compromisso com a sustentabilidade fiscal do país.

Por fim, apesar de um mês melhor para o real, as expectativas para 2025 seguem sendo de um câmbio mais deteriorado em virtude do cenário de dólar forte esperado, em conjunto com as incertezas fiscais existentes. Outro fator que pode pressionar o real é o déficit em transações correntes, que atingiu US$ 55,9 bi em 2024, impactado pela deterioração no saldo de serviços (-US$ 49,7 bi), refletindo uma tendência estrutural impulsionada por alta demanda interna, digitalização e interconectividade global.

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