Relatório Macro Janeiro 2026
Internacional
Em 2025, o setor de tecnologia liderou os ganhos da bolsa americana e, apesar da volatilidade decorrente do anúncio de tarifas comerciais, os principais índices encerraram o ano com ganhos expressivos. Esse desempenho é resultante da flexibilização monetária do FED, de resultados corporativos resilientes e da boa performance da economia americana.
Nos EUA, o consumo doméstico permaneceu robusto, amparado pelo aumento da riqueza das famílias e pela continuidade do ciclo de investimentos - especialmente em tecnologia e infraestrutura associadas à IA. Nesse contexto, o PIB do 3º trimestre surpreendeu positivamente e os earnings em equities continuam resilientes. Por outro lado, o mercado de trabalho passou a sinalizar menor dinamismo, com indícios de estabilização na criação de vagas e um leve aumento na taxa de desemprego.
A inflação mostrou comportamento benigno, abaixo das projeções feitas no auge das preocupações com as tarifas comerciais. Para 2026, o FOMC deve efetuar cerca de mais dois cortes de juros, dependente da confirmação da convergência inflacionária. Adicionalmente, o mandato do presidente do FED, Jerome Powell, encerra-se em maio, o que abre espaço para a consideração de novos candidatos indicados pelo presidente Donald Trump.
No campo fiscal, o “One Big Beautiful Bill Act” amplia o déficit público, mas conta com a mitigação via arrecadação tarifária. Em linhas gerais, segue com um caráter expansionista, com estímulos fiscais relevantes.
Do outro lado do Atlântico, o Banco Central Europeu manteve juros estáveis e revisou projeções de crescimento marginalmente para cima, com inflação convergindo para a meta no médio prazo. O avanço da atividade na região foi impulsionado pelo aumento dos gastos públicos em infraestrutura e defesa - com destaque para a Alemanha - e essa dinâmica tende a se manter ao longo de 2026.
Na China, a política fiscal manteve estímulos em meio à perda de dinamismo interno, enquanto os dados de atividade no fim do ano vieram abaixo do esperado. O investimento seguiu contido pelo ajuste prolongado do setor imobiliário e a crise imobiliária permanece ativa, mas com impacto menor sobre o produto. O país segue com uma balança comercial superavitária, amparada pelo crescimento da produção industrial.
Brasil
No cenário doméstico, o mercado de dívida foi beneficiado pela entrada de recursos estrangeiros – atraídos pelos juros altos -, enquanto a bolsa brasileira foi impactada positivamente pelo aumento do apetite de risco global, com o Ibovespa registrando uma alta de 33,9%. Neste cenário positivo, também houve uma valorização do real de 11% a.a., apesar do fluxo cambial negativo de final de ano.
Sob a ótica da política monetária, a postura consistentemente hawkish adotada pelo Banco Central ao longo do ano contribuiu para a desaceleração da atividade econômica, ao mesmo tempo em que favoreceu a melhora do quadro inflacionário — com o IPCA situando-se em torno de 4,3%. Ainda assim, as expectativas de inflação de longo prazo permanecem desancoradas. No mercado de trabalho, observa-se uma redução da taxa de desemprego acompanhada da expansão da população ocupada.

Para 2026, o mercado projeta cortes pontuais de cerca de 2,5%.
No campo fiscal, as despesas obrigatórias devem seguir como a principal preocupação para 2026. Além disso, a desaceleração econômica esperada pode impactar a arrecadação, contribuindo para um déficit fiscal ainda maior. Diante desse cenário, o país se distância cada vez mais de cumprir a meta fiscal no ano que começa.
Por fim, no que tange o cenário político, 2025 foi um ano de altos e baixos para a popularidade do presidente Lula devido à uma série de eventos negativos – como a rejeição da MP 1.303 e as fraudes no INSS. Diante da disputa eleitoral, a direita brasileira começa 2026 sem consolidar um nome competitivo – incerteza que deve impactar a performance dos ativos domésticos ao longo de 2026.
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