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No Brasil, mulheres e jovens catalisam os investimentos de impacto de suas famílias

A Wright Capital é destaque na Impact Alpha sobre como as famílias brasileiras estão abraçando o investimento de impacto.

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Impact Alpha
19 Mar 2026

A nova geração de detentores de patrimônio familiar no Brasil é uma força promissora para o investimento de impacto catalisador no país. Membros mais jovens de famílias abastadas estão usando as estratégias filantrópicas de seus family offices como porta de entrada para o investimento de impacto; observa Fernanda Camargo, da Wright Capital, um multi-family office sediado em São Paulo que integra o impacto em suas estratégias de investimento.

"As famílias com quem trabalhamos já têm essa mentalidade [de impacto]", em razão de seu histórico filantrópico, ela conta à ImpactAlpha. Aqueles acostumados a fazer doações sem expectativa de retorno financeiro estão migrando para o investimento de impacto como uma oportunidade de obter retorno financeiro enquanto promovem iniciativas sociais e ambientais.

"Eles não estão apenas investindo capital, mas investindo em negócios que geram transformação", ela explica.
Uma pesquisa recente dos consultores filantrópicos Juliana de Paula e Cássio Aoqui suporta a tendência que Camargo enxerga entre seus clientes na Wright Capital. "Perspcectivas

A recente pesquisa "Perspectivas e Oportunidades para agenda filantrópica em Family Offices", publicada pelos consultores filantrópicos Juliana de Paula e Cássio Aoqui, suporta a tendência que Camargo enxerga entre seus clientes na Wright Capital. Segundo a pesquisa, 44% dos family offices brasileiros já estão engajados no investimento de impacto.

As estratégias de impacto familiar são impulsionadas em grande medida pela transferência de patrimônio para mulheres e gerações mais jovens, que trazem "novas formas de olhar para a gestão dos ativos familiares", diz Aoqui.

"Além disso, as estratégias desenvolvidas por estas famílias tem o potencial altamente catalisador de empreendimentos de impacto social em estágio inicial", acrescenta.

Famílias, especialmente aquelas que construíram seu patrimônio nos setores financeiro e de tecnologia, enxergam venture philanthropy como a evolução natural de suas estratégias de doação, pois elas "incluem um mix de risco e filantropia que tais famílias tendem a enxergar sob a ótica de investimento".

"Parte dos valores costumam ser doações, que podem ser através de garantias, capital de proteção em fundos, ou dinheiro que financie assistência técnica para um negócio", adiciona a co-autora, de Paula.

Prioridades de impacto em transformação

O engajamento das famílias na venture philanthropy é um sinal animador para Marcel Fukayama, da Din4mo, organização que atua no desenvolvimento do ecossistema de impacto no Brasil. As mudanças climáticas, a inclusão e outros temas de impacto têm sofrido reveses no atual contexto geopolítico e de captação de recursos.

Com "o impacto em equity enfrentando uma desaceleração", ele afirma: "se a filantropia crescer, é possível que o investimento de impacto também cresça."

As alocações das famílias em investimento de impacto ainda são pequenas, e muitas estratégias estão em estágio nascente. Os clientes da Wright Capital alocam cerca de 1% a 4% de seus ativos totais em impacto, diz Camargo. Há interesse em investir mais, acrescenta; a baixa disponibilidade de produtos e fundos de impacto no Brasil é a maior barreira.

A forma como as famílias brasileiras pensam sobre o investimento de impacto evoluiu em linha com as tendências globais em tecnologia, mudanças climáticas e questões sociais. Há uma década, o ecossistema de impacto era mais diversificado, diz Camargo. Os investidores demonstravam interesse em educação, saúde, inclusão financeira e outros temas sociais.

Hoje, a ênfase se volta para a economia verde — em parte porque os investidores enxergam cada vez mais as emissões de carbono, as regulações ambientais e os riscos comunitários como riscos de portfólio. Investir com uma lente ESG é "um fator crucial de gestão de risco para o patrimônio", afirma.

O crescimento dos investimentos verdes também se retroalimenta. "Com o tempo, os fundos de impacto se tornaram verdes, porque os cheques verdes cresceram", diz Camargo. A tendência de investimentos verdes avança agora em direção à bioeconomia e às soluções baseadas na natureza.

Repensando o dever fiduciário

Ampliar as alocações de impacto das famílias no Brasil exige uma revisão do papel dos gestores de patrimônio e de seu dever fiduciário, diz Camargo.

"Não é por acaso que grandes bancos europeus têm departamentos dedicados à filantropia. É uma forma de manter a proximidade com os clientes, seu legado e as gerações futuras", afirma.

A Wright Capital busca ser modelo dessa abordagem mais proativa, acrescenta. "Investimos tempo, realizamos análises e educamos todas as famílias" sobre o investimento de impacto.

Essa postura educativa é fundamental para superar as barreiras impostas pelo dever fiduciário tradicional, centrado na maximização dos retornos financeiros. Familiarizar as famílias com a ideia de capital com propósito estimulará, por sua vez, uma mudança mais ampla na forma como os gestores de patrimônio apoiam os objetivos de investimento e de portfólio de seus clientes.

"Faltam estratégia e intencionalidade" neste estágio, diz de Paula. "Se a família não demandar, a postura será sempre reativa."

Se as famílias exigirem maior atenção tanto à filantropia quanto às oportunidades de investimento de impacto de seus gestores financeiros, "aí o jogo muda", afirma.

Aoqui acrescenta: "As oportunidades são imensas, especialmente na economia verde e na inclusão financeira."

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Impact Alpha

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